Mais de 40 técnicos extensionistas receberam uma capacitação gratuita sobre Produção Integrada em Sistemas Agropecuários (PISA), nos dias 13 e 14 de abril, em Cuiabá. A iniciativa foi promovida pelo Programa REM MT, por meio do Subprograma Produção Sustentável, e teve como objetivo levar novos conhecimentos aos técnicos para que eles possam reproduzir os conceitos no campo.
O método PISA é um conjunto de tecnologias de processos, que propõe uma visão integrada da propriedade rural, articulando manejo de pastagens, solo, rebanho e gestão para aumentar a eficiência produtiva.
Nesse contexto, o “rotatínuo” é apresentado como uma das tecnologias de processo, baseada na ecologia do pastejo e no comportamento ingestivo dos animais, e não apenas no crescimento das plantas. Na prática, isso significa manejar a pastagem com alturas de entrada e saída específicas para cada forrageira, de modo que os animais consumam principalmente as folhas mais novas e nutritivas, sem rebaixar o pasto a cerca de 40% da altura de entrada.
Esse manejo preserva um residual folhoso, acelera a rebrota, encurta o intervalo entre pastejos e melhora o aproveitamento da área, reduzindo a necessidade de suplementação e os custos do sistema. Em experiências já consolidadas no âmbito do PISA, a adoção desse conceito tem sido associada ao aumento da produtividade e à redução de até 30% no custo de produção, razão pela qual os próximos módulos do curso avançarão para temas como planejamento forrageiro e manejo de solos, fundamentais para sustentação desse modelo produtivo ao longo do tempo.
No PISA, experiências consolidadas já apontam aumento médio de 33% na produção de leite por vaca, enquanto resultados em pecuária de corte registram ganhos médios diários superiores a 30% em algumas fazendas acompanhadas. Os técnicos que participaram da formação atuam junto aos produtores com pecuária de corte e leite. Para o zootecnista, Armando Urenha, a formação foi importante para a aquisição de novos conhecimentos em sua área de atuação.
“A capacitação nos trouxe um olhar diferenciado, um olhar fora do nosso dia a dia, de que há maneiras de manejos diferentes numa atividade tão antiga dentro do nosso país, dentro de Mato Grosso. Então eu saio com uma visão ainda mais clara de que nosso papel como extensionista rural vai além da recomendação técnica, ela passa realmente a ajudar o produtor a enxergar o sistema como um todo, tomar decisões estratégicas e realmente conectadas com a realidade da propriedade. Eu saio dessa capacitação seguindo firme, contente, com bastante esclarecimento de um conhecimento que realmente pode ser aplicado nas propriedades rurais, com soluções viáveis para o produtor rural”, avalia.

O conteúdo técnico foi conduzido pelos professores Dr. Pedro Alburquerque, Dr. Edicarlos Damacena e Dr. Paulo Carvalho, que é referência nacional no tema e um dos idealizadores do método PISA, desenvolvido no âmbito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Segundo o professor Paulo, o modelo propõe uma transformação na forma de produzir.
“O PISA é uma filosofia de produção que busca conciliar rentabilidade, competitividade e produção de alimentos seguros para a sociedade, ao mesmo tempo em que promove bem-estar para o produtor, conservação do solo, redução de emissões e aumento dos estoques de carbono”, explicou.
O técnico Armando também destacou a abrangência e os benefícios do método: “Foi um momento muito rico, que reforçou principalmente a importância de integrar a lavoura e a pecuária e quando possível componentes florestais, com uma estratégia de aumentar a produtividade do produtor, diversificação de renda, e principalmente, respeitando a particularidade de cada propriedade, entendendo que o produtor pode ter uma propriedade extremamente rentável, respeitando o que ele ali já possui”, comentou.
A adoção do método PISA está alinhada aos objetivos do Subprograma Produção Sustentável do REM MT em sua Fase II, que prevê atender 500 propriedades, implementar manejo de baixo carbono em 15.000 mil hectares e apoiar a restauração de 100 hectares.
Com a capacitação dos técnicos extensionistas, essas metas tornam-se mais concretas. A difusão de novas tecnologias e metodologias no campo contribui para o aumento da produtividade e da rentabilidade, especialmente entre os pequenos produtores, ao mesmo tempo em que fortalece a adoção de sistemas produtivos mais sustentáveis.

CONHEÇA O REM MT
O Programa REM MT é uma premiação dos governos da Alemanha e do Reino Unido, por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), ao Estado de Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento.
Na fase I, entre 2022 e 2025, o Programa REM MT apoiou 155 projetos, beneficiando 131 organizações sociais, entre elas, 104 associações ou cooperativas. Os projetos abrangem os três biomas de Mato Grosso: Amazônia, Cerrado e Pantanal.
Dentre os resultados alcançados, destacam-se as mais de 500 aldeias atendidas, onde vivem 43 povos indígenas, os 108 municípios mato-grossenses beneficiados, as mais de 44 mil pessoas atendidas e os 160 mil hectares de desmatamento evitados em Mato Grosso por meio da atuação do REM MT, nos anos de 2021 e 2022.
O Programa REM MT é coordenado pelo Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), e tem como gestor financeiro a Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Para sugestões, reclamações ou esclarecimentos, fale com a ouvidoria da SEMA pelo telefone: 0800 065 3838 ou (65) 99321-9997 (WhatsApp).



