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Especialistas discutem uso de geotecnologias e IA no monitoramento da restauração em Mato Grosso

RESTAURAÇÃO

21 de October de 2026

Especialistas discutem uso de geotecnologias e IA no monitoramento da restauração em Mato Grosso

Encontro reuniu mais de 40 participantes para discutir soluções tecnológicas que podem apoiar o monitoramento das áreas em recuperação no estado

A Superintendência de Regularização e Monitoramento Ambiental da SEMA, em parceria com o Programa REM MT, Instituto Centro de Vida (ICV) e o WRI Brasil, promoveu a Oficina Técnica Geotecnologias e Inteligência Artificial aplicadas ao Monitoramento da Restauração no PRA de Mato Grosso, nos dias 14 e 15 de outubro, que discutiu como as novas tecnologias podem contribuir para aprimorar o acompanhamento das áreas degradadas em processo de recomposição no estado.  

Representantes de instituições e iniciativas como MapBiomas, Observatório da Restauração, SCCON, Bioflore, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Instituto Socioambiental (ISA), The Nature Conservancy (TNC), Embrapa, Netflora, Restauragro, RestauraBio, SEMIL/SP e Tecnomapas, participaram do encontro.

A oficina teve como objetivo avaliar de que maneira o sensoriamento remoto, as geotecnologias, a inteligência artificial e as informações coletadas em campo podem contribuir para o monitoramento da restauração vinculada ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) de Mato Grosso. A proposta também buscou identificar as possibilidades e limitações dessas ferramentas, as necessidades de validação e os caminhos para sua eventual incorporação ao ambiente tecnológico já utilizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-MT).

Para o coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV, Vinícius Silgueiro, a diversidade de experiências reunidas na oficina é fundamental para ampliar as possibilidades de recuperação ambiental.

“Essa oficina técnica reúne atores de diferentes áreas de atuação do estado de Mato Grosso, da iniciativa privada, do serviço público, organizações da sociedade civil e academia, que têm experiências no uso de geotecnologias, inteligência artificial para monitoramento das áreas de recuperação ambiental no estado, especialmente aquelas áreas de rios e nascentes, que cada vez mais têm uma importância para que sejam recuperadas”, destacou.

A diversidade de participantes contribuiu para ampliar o debate. Entre os participantes esteve o biólogo José Aparecido Macedo, reconhecido por seu trabalho de restauração ambiental em Mato Grosso. Ao longo de 35 anos de atuação, ele já plantou mais de 1 milhão de árvores e contribuiu para a recuperação de 120 nascentes. Sua participação reforçou a importância de aproximar as ferramentas tecnológicas da experiência prática de quem atua diretamente na recuperação de áreas degradadas.

“Eu faço o que a IA não faz, que é colher as sementes, plantar e acompanhar os resultados. Mas eu estou muito feliz de ver tantas pessoas reunidas, falando de tecnologias. Se a gente unir a prática com a teoria e a ciência, vamos ter bons resultados”, afirmou.

Um dos principais produtos da oficina foi a construção da Matriz de Potencial Tecnológico, instrumento que organiza as possibilidades de aplicação das tecnologias ao monitoramento da restauração ambiental. 

A construção da matriz também permitiu identificar diferentes níveis de maturidade entre as ferramentas avaliadas. Enquanto variáveis como cobertura vegetal, solo exposto, ocorrência de fogo e determinadas mudanças no uso da terra já podem ser acompanhadas com maior grau de automação, atributos relacionados à estrutura, diversidade e regeneração da vegetação ainda exigem maior integração com dados de campo e validação para as condições de Mato Grosso. As discussões também reforçaram a importância das séries temporais, da sazonalidade e das diferenças entre formações florestais, savânicas e campestres na interpretação dos resultados. 

Dessa forma, a proposta é identificar quais ferramentas podem contribuir para qualificar o acompanhamento das áreas em processo de recuperação e quais aspectos ainda exigem estudos, testes ou validação. A secretária adjunta de Gestão Ambiental da SEMA-MT, Luciane Bertinatto, ressaltou a importância de aproximar o conhecimento técnico das necessidades práticas da gestão ambiental.

“Um dos maiores desafios da SEMA é solucionar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) com os projetos de recuperação de áreas degradadas, seja de APP ou de reserva legal. Então, esse momento é muito importante para que a gente de fato possa entender o que é restaurar, como fazer isso e como trabalhar isso para que de fato isso vá para o chão. Que nós possamos usar aquilo que temos hoje à disposição, que é a tecnologia. Esperamos alinhar a recuperação de uma área, a viabilidade econômica dessa propriedade e a nossa missão de fazer cumprir o Código Florestal Brasileiro”, afirmou.

A integração de diferentes fontes de informação foi um dos pontos centrais do encontro. O uso de ferramentas tecnológicas e dados coletados em campo pode ampliar a capacidade de acompanhar mudanças na vegetação ao longo do tempo. No entanto, a aplicação dessas ferramentas exige considerar suas limitações, as características de cada área e a necessidade de validação das informações produzidas.

A coordenadora de Dados e Monitoramento do WRI Brasil, Eileen Acosta, destacou a importância da troca de conhecimentos entre especialistas e instituições para identificar soluções que possam ser aplicadas à realidade da gestão ambiental: “Todos esses pensadores estão analisando quais são as melhores ferramentas que podemos incorporar e melhorar as plataformas nas secretarias e como integrar as plataformas. A gente acredita que teremos resultados maravilhosos dessa oficina”, avaliou.

A oficina teve caráter técnico e colaborativo e não teve o objetivo de definir indicadores oficiais, parâmetros de cumprimento ou periodicidade regulatória para o monitoramento. Como próximos passos, a Matriz de Potencial Tecnológico servirá de base para discussões posteriores sobre indicadores, protocolos, periodicidade e operacionalização do monitoramento. O trabalho dará continuidade à avaliação das soluções identificadas, considerando sua aplicabilidade, suas limitações e as necessidades da gestão ambiental estadual.

CONHEÇA O REM MT

O Programa REM MT é uma premiação dos governos da Alemanha e do Reino Unido, por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), ao Estado de Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento. 

Na fase I, entre 2022 e 2025, o Programa REM MT apoiou 155 projetos, beneficiando 131 organizações sociais, entre elas, 104 associações ou cooperativas. Os projetos abrangem os três biomas de Mato Grosso: Amazônia, Cerrado e Pantanal.

Dentre os resultados alcançados, destacam-se as mais de 500 aldeias atendidas, onde vivem 43 povos indígenas, os 108 municípios mato-grossenses beneficiados, as mais de 44 mil pessoas atendidas e os 160 mil hectares de desmatamento evitados em Mato Grosso por meio da atuação do REM MT, nos anos de 2021 e 2022.  

Atualmente, o Programa REM MT encontra-se em execução da Fase II, com editais já publicados para Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais e para Territórios Indígenas.

O Programa REM MT é coordenado pelo Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), e tem como gestor financeiro a Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Para sugestões, reclamações ou esclarecimentos, fale com a ouvidoria da SEMA pelo telefone: 0800 065 3838 ou (65) 99321-9997 (WhatsApp).

Por: Por Priscila Soares (REM MT)

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